• Serginho Neglia

Viva os Trabalhadores do Brasil

Atualizado: Abr 28


Hoje se encerra o feriado de Proclamação da República. Em épocas de redes sociais, acompanho a programação de muitos de meus amigos durante o feriadão, viajando, na praia, fazendo churrasco, curtindo muito o feriado, e todos sem exceção, exaltam a vida nestes momentos.  Poucas coisas deixam as pessoas tão felizes do que o "Dolce far niente" de aproveitar o lazer. Por isso, as pessoas adoram tanto os feriados.


Mas não foi para falar das múltiplas atividades de lazer de meus amigos que estou escrevendo. O que me inspirou a escrever foi que hoje, pela manhã, por volta de 6h00 fui desempenhar minhas atividades de pai, e buscar minha filha na casa de um colega, onde fizeram uma festa esta noite.


Quem é pai sabe como é, dorme-se pouco e acorda na madrugada para buscá-los. Este final de semana redobrei os cuidados, pois estou impactado com o que aconteceu com um pai que foi buscar a filha em uma festa e teve seu carro atingido por outro motorista, causando a morte prematura de uma adolescente de 15 anos. Pensava o tempo todo nisso, em como sentimos que estamos garantindo a segurança de nossos filhos desempenhando, nós mesmos, a função de levar e buscar nossos filhos nas suas atividades noturnas. É duro saber que esse esforço todo não garante nada, se do outro lado tiver alguém que não está se importando com isso, que conduz seu veículo sem se preocupar com a sua segurança e a de terceiros.


Mas, também não foi por isso que resolvi escrever. O que me motivou, foi o grande número de pessoas que vi nas paradas de ônibus durante o percurso, pessoas que estavam indo ou retornando do trabalho. Pessoas com uniformes de empresas, trabalhadores em geral. Pessoas para quem o feriado não foi de descanso, mas de trabalho. Poucas sorriam, o que contrastava com as imagens de meus amigos que estavam aproveitando o feriado. Imaginava eu o que se passava na cabeça destas pessoas e em quantas delas gostariam de estar aproveitando o feriado à beira de uma praia qualquer.

O mundo do trabalho tem disso, nem sempre o final de semana tem o mesmo significado para todos, para uns é lazer, para outros é trabalho. Pela natureza de minha profissão de fotógrafo, sempre foi rotina trabalhar enquanto os outros curtem, assim como os garçons, os recreacionistas e tantos outros profissionais da área de festas, nossa função era trabalhar para que as pessoas pudessem aproveitar, e o lazer delas é nosso trabalho. Eu sempre trabalhei os sete dias da semana e talvez por isso, dificilmente enfrente horas no trânsito para poder passar uns dias na praia. Com o tempo, mesmo a contragosto, minha família foi se acostumando a isso.


Sempre me incomodaram as pessoas que trabalham e ficam pensando quando é o próximo feriado. No verão é uma loucura, temos no máximo três dias úteis, pois segunda os caras estão detonados do final de semana e produzem pouco, e na sexta-feira só pensam em acabar o expediente para irem para praia, assim terça, quarta e quinta são os melhores dias, os outros uma dureza.


A única coisa que sempre me incomodou, mais do que isso, é que a maioria das pessoas deseja esse descanso apenas para elas e para os seus, para os outros ela quer trabalho. Ela quer ter um restaurante aberto, um ônibus, táxi, avião, funcionando, um supermercado aberto. O mesmo direito a lazer não é concedido aos demais. Quando falamos em fechar o comércio aos domingos, sempre há resistência, pois para muitas pessoas, não há graça nenhuma em “folgar” se não tem ninguém para servi-lo, para lhe atender.


Mas, também o meu objetivo não é fazer uma crítica a esse modo de pensar, e nem aprofundar essa questão, o que demandaria mais argumentos e uma analise mais profunda. O Objetivo real é reconhecer e agradecer as pessoas que trabalham enquanto os outros descansam, que privam-se de estar com suas famílias aos finais de semana e feriados, para manter o roda andando. Pessoas que mesmo em um domingo de final de feriado, as 6h00 da manhã estão a postos para cumprir com o seu dever, exercer seu trabalho, com dignidade. 


Texto originalmente publicado no Blogue Testemunha Ocular em 17.11.2013


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