• Serginho Neglia

Tinha esquecido como dói!

Fui criado morando em casa com pátio e rodeado de animais de estimação. Até hoje, a casa de meus pais é cheia de cachorros, por isso nos acostumamos a dividir espaço com esses animais e a suportar seus cheiros característicos.


Depois de adulto tive dois animais de estimação, a Buba, que era da minha filha Natália,  que acabei perdendo o vinculo com a separação, e a Nina, com quem convivemos por 10 anos.


Ter um animalzinho de estimação em casa faz toda a diferença, principalmente para quem tem filhos. Mesmo morando em apartamento, trouxemos a Nina para fazer companhia para a Renata e para nós, pois eles preenchem um espaço afetivo em nossas vidas.


Desde a chegada da Nina, nossa rotina mudou, a ração passou a ser item obrigatório no rancho e as despesas com vacinas e tosa (Poodle necessita de tosa com frequência senão fica parecendo uma ovelha) sempre no orçamento familiar. Os jornais, após a leitura, tinham sempre um destino, servir de local para as necessidades da Nina (Nos acostumamos com o banheiro sempre forrado de jornal e a primeira coisa a fazer quando chegávamos em casa era juntar esse jornal devidamente "batizado"), e o principal: Nunca deixar a Nina sozinha. Se for dormir fora, tem que levar ela junto. Nas comemorações de Natal, Ano Novo, nas Férias, era companhia permanente, toda a nossa organização tinha que prever o bem estar da Nina também, deixar água e comida quando saíamos para o trabalho, luz acesa se formos voltar a noite (não gostávamos de deixá-la no escuro) e até deixar a televisão ligada para ela escutar som de vozes.

Minha intenção com essa postagem não é entristecer quem ler, muito menos transferir nossa dor para outros corações. É apenas uma singela homenagem a um ser que nos fez muito felizes.

A Nina fazia uma festa quando chegávamos e sempre sabíamos quando um de nós se aproximava, pois ela corria para porta e começava a latir desesperadamente até que a porta se abrisse. Sabíamos quando a Renata estava chegando da escola, bem antes da van estacionar, pois a Nina começava a dar pequenos latidos que ficavam mais frequentes a medida que a van se aproximava e enquanto ela subia as escadas.


Ela dividia o espaço com a gente, subia no sofá e sentava no nosso colo quando estávamos todos juntos, não aceitava estarmos todos no sofá e ela não, ficava tentando subir desesperadamente. Quando deixávamos a porta do quarto da Renata aberta ela ia e deitava na cama, e quando acordávamos estava lá bem deitada ao lado dela. Outras vezes dormia ao pé da nossa cama, e quando acordávamos tínhamos de cuidar para não pisa-la (Assim nos acostumamos a sempre olhar no chão antes de levantar). Seguia a Márcia por toda a casa, era preciso ter cuidado para mudar de direção, pois ela estava sempre ali nos pés, e quando eu estava na mesa da sala usando o computador, como estou fazendo agora, vinha se deitar aos meus pés.


Nina nos deixou ontem, vitimada por uma insuficiência renal (A Veterinária disse que quando aparece o problema é porque já está com no mínimo 75% de comprometimento). Na sexta-feira corremos com ela para um Hospital veterinário, a internamos para tratamento, mas não obtivemos êxito. Confesso que ainda estou um pouco inconformado em não ter percebido o problema e agido antes, mas me culpar não resolverá nada, não reverterá o acontecido.


Pois é, lendo até aqui vocês podem imaginar como tem sido esse primeiro final de semana sem a Nina. Está tão vazio, e quase não consigo pensar em outra coisa (estou cheio de coisas para fazer), estamos tristes e saudosos.

Havia me esquecido o quanto dói a perda de nossos companheiros de estimação, vamos crescendo e esquecendo que na infância sofríamos com a perda dos nossos bichinhos, e mesmo sabendo que a Nina não viveria para sempre, não me preparei para isso.

Minha filha Renata fez esta publicação no Facebook. Foi brilhante! A descrição dela é perfeita: "O sol não apareceu e a nossa casa amanheceu vazia, a tristeza tomou conta dos corpos dos moradores do nosso lar e três pessoas abatidas apareceram em nosso apartamento."

Por mais racionais que sejamos, por mais maduros, não conseguimos deixar de ser impactados por essas perdas. Sou uma pessoa consciente da realidade humana, das pessoas que passam fome, das pessoas que perdem seus entes queridos, e que vivemos em um mundo de luta, repleto de dores e sofrimentos e que diante de muitos destes problemas o que é a vida de uma cachorrinha. Porém, respeitando todas as dores do mundo, acredito que a Nina merece esse meu reconhecimento, por tudo o que significou para nossa família nestes 10 anos que conviveu conosco, pelo carinho, pela companhia. 


A Nina viveu conosco, compartilhou das alegrias e tristezas e FOI AMADA!


Descanse em Paz “guriazinha”!  


Quando olhamos nossos álbuns de família podemos encontrar a presença constante em nossas recordações. A Fotografia é mágica por nos trazer o sentimento da imortalidade.

Texto originalmente publicado no Blogue Testemunha Ocular em 16.03.2014

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