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Será que o PSDB fará sua maior bancada da história?

Atualizado: Ago 16

Nas eleições de 2016, embora tenha eleito o Prefeito de Porto Alegre, o PSDB elegeu apenas um vereador, Ramiro Rosário, portanto, pouco pode auxiliar o Prefeito Nelson Marchezan Júnior em sua missão de governar Porto Alegre.


Marchezan viveu bons e maus momentos na sua relação com a câmara de vereadores, o que lhe rendeu situações como a dificuldade de aprovar projetos, e mais recentemente a abertura de processo de Impeachment, há pouco mais de três meses da eleição.


Analisando a evolução histórica do PSDB encontramos algo interessante, pois, mesmo que o partido já tenha governado o país entre 1995 e 2002, com Fernando Henrique Cardoso, e o Estado do Rio Grande do Sul entre 2007 e 2011 e agora; embora seja considerado um dos grandes partidos do país, até 2018 o principal antagonista do PT nas eleições, aqui em Porto Alegre o PSDB sempre teve dificuldade de eleger uma grande bancada na Câmara de Vereadores.


Em 1988 o recém criado PSDB disputou as primeiras eleições em Porto Alegre, quando sua nominata foi encabeçada por Caio Lustosa que obteve a 23ª maior votação entre os candidatos a vereador, porém, não conquistou uma cadeira porque o partido não alcançou o quociente eleitoral, fato que se repetiu na eleição de 1992, quando o Professor Regis Gonzaga obteve a 11ª maior votação e também não conseguiu se eleger. A não eleição do Professor Regis é, juntamente com a de Jussara Cony do PCdoB em 1988, umas das mais lembradas ‘injustiças’ da fórmula eleitoral das eleições de Porto Alegre.


Após ter feito história em 1982, como o primeiro vereador eleito pelo PT, em 1993, Antônio Hohlfeldt, migrou para o PSDB. Em 1996 tornou-se o primeiro vereador eleito pelo PSDB em Porto Alegre, juntamente com Cláudio Sebenelo e Annamaria Negroni

A primeira bancada do PSDB só foi eleita em 1996 e com um detalhe interessante: o primeiro vereador eleito pelo PSDB em Porto Alegre foi Antônio Hohlfeldt. Sim, o mesmo que em 1982 foi o primeiro vereador eleito pelo PT na história do partido no RS. Além dele o PSDB elegeu Cláudio Sebenelo e Annamaria Negroni, que veio a ser cassada em 1999 por "exigir para si, indevidamente, parcela dos vencimentos (salários) de servidores lotados em seu gabinete", ou seja, a prática de "caixinha", ou "rachadinha", como é chamada no Rio de Janeiro, e que recentemente ficou conhecida pelo caso de Fabrício Queiróz que operava um sistema de arrecadação no gabinete de Flávio Bolsonaro. No caso de Annamaria Negroni, ela mesmo fazia a arrecadação e essa prática lhe custou o mandato. Foi a primeira, e única, vereadora cassada pelos próprios vereadores em Porto Alegre. A bancada do PSDB, eleita em 1996, foi a maior bancada do partido até agora.


Em 2020, o PSDB terá o desafio de reeleger o Prefeito e eleger uma boa bancada na câmara, para isso, o partido trabalha para apresentar um nominata de 54 candidatos. Entre os nomes que tivemos acesso estão, além de Ramiro Rosário e Moisés Barboza, o "Maluco do Bem", que substituiu Ramiro na maior parte do período em que ficou afastado para ocupar o cargo de Secretário de Serviços Urbanos de Porto Alegre, estão cinco dos candidatos mais votados do partido em 2016, Álvaro Araújo, Lourdes Dallacort, Henry Ventura, Amâncio Ferreira e Fernanda Machado. Juntos, esses candidatos deram ao partido 16.720 votos na eleição passada. Pressupondo que venham a repetir e até ampliar suas votações, acreditamos que apenas a votação deste nomes garantiriam a manutenção de pelo menos um vereador do PSDB na próxima legislatura.

Em 2016 o PSDB lançou 12 candidatos. Destes, sete pretendem disputar a eleição pelo partido esse ano.

Claro que o PSDB não pretende eleger apenas um vereador em Porto Alegre nestas eleições, e para reforçar a nominata espera contar com outras candidaturas que possibilitem o partido alcance o objetivo de igualar, e até superar, a bancada eleita em 1996.


Uma das estratégias do partido foi buscar nomes que concorreram por outras siglas em eleições anteriores. Essa prática é muito comum e, entre uma eleição e outra, candidatos que não conquistaram um mandato acabam mudando de sigla com o intuito de se reforçar para uma nova tentativa.

Entre os nomes que o PSDB buscou entre as outras legendas estão Gilson Padeiro, suplente de vereador que concorreu pelo PPS em 2016 e obteve 2.827 votos; o ídolo colorado Fabiano Souza, o "Uh Fabiano", que concorreu pelo PCdoB em 2012 e recebeu 2.424 votos; do PP vieram Aldo Borges e Vinícius Escobar que em 2016 receberam 1.183 votos e 1.276 votos respectivamente; Jorge Corrêa - "Meio Kilo" , concorreu em 2008 e 2012 pelo PSB, ficando como suplente com 1.736 votos e 1.244 votos.


O partido também aposta em nomes do jornalismo como o de Paulo Borges, que em 2006, após deixar a RBS TV, elegeu-se o deputado estadual mais votado do Rio Grande do Sul, pelo PFL/DEM, com 113.151 votos, porém, nas eleições seguintes viu sua votação despencar, e após se reeleger em 2010 com 36.751 votos, em 2014 alcançou apenas a 123º votação com 13.716 votos. 2020 marca o retorno do "homem do tempo" às urnas. Haroldo do Santos, que em 2018 estreou nas eleições concorrendo a deputado estadual pelo PV também aparece entre os pré-candidatos do PSDB, que traz ainda o Jornalista Políbio Figueiredo Braga, filho do jornalista e político Políbio Braga; Políbio filho fez carreira no jornalismo corporativo em uma empresa de telefonia e estreia nas urnas este ano.

Mas não é só em nomes 'conhecidos' e que já disputaram eleições que o PSDB aposta. Apoiado na estrutura de estar governando o município, o partido também apresenta uma série de nomes que estarão estreando nas eleições esse ano, como os dos ex-secretários de Planejamento e Gestão de Porto Alegre Paulo de Tarso Pinheiro Machado e José Parode; Daniel Boeira, coordenador Municipal da Unidade de Direitos da Diversidade Sexual e Gênero de Porto Alegre; a coordenadora do programa PIM-PIA (Primeira infância Melhor / Porto Infância Alegre), enfermeira Tatiane Bernardes e Neiva Chaves articuladora da FASC no território Centro. O partido apresenta ainda o nome de Claudio Franzen, ginasta ex-campeão mundial, coordenador de esporte e lazer de Porto Alegre, que em 2018 concorreu a deputado estadual.

A nominata traz ainda os nomes dos jovens Matheus Xavier, Presidente da Associação dos Estudantes do Rio Grande do Sul AERGS e ex-presidente do Diretório Central dos Estudantes da PUCRS (2017-2018); Bruno Soper Rodrigues, Presidente da Comissão Nacional de Mídias Digitais da Associação Brasileira de Advogados e criador do Instablog jurídico; Lucas Fuhr ex-Secretário de Estado Adjunto de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do governo Eduardo Leite e Presidente do Conselho Estadual de Defesa do Consumidor – CEDECON; e a economista e estudante de direito, servidora do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Miriam Dornelles.

Importante registrar que estamos tendo acesso aos nomes através de pesquisas com lideranças partidárias, acompanhando as redes sociais e que não há confirmação destes nomes que neste momento são apenas pré-candidatos. Para confirmarem suas candidaturas terão de ser aprovado pela convenção partidária, que deverá acontecer entre os dias 31 de agosto e 16 de setembro.


A nominata do PSDB trará outros nomes como as ativistas da proteção dos animais Ana Tóppor e Gládis Klein; os empreendedores André Estrela, sócio proprietário da Squadra Strela - Treinamento Físico, e Frederico Lincoln, o Fred do Céu Bar e Art; o sociólogo e cabeleireiro Clodi Dias Fernandes; o fotógrafo José Gilberto Machado, o Beto Boca, que concorreu em 2012 e recebeu 621 votos; a administradora da área de RH Laira Seus; e o presidente da Federação Rio-grandense de Deficientes Físicos do RS, Rotechild Santos Prestes, o "Roth da acessibilidade".


Destacamos ainda as pré-candidaturas da Presidente do Tucanafro/Porto Alegre, a advogada Andréa Campos, que atua há 21 anos na área do Direito do Trabalho e Empresarial; de Paulinho UniSamba e do Babalorixá Ricardo de Oxum.

Se em eleições passadas o PSDB teve dificuldades para formação de uma bancada na Câmara Municipal de Porto Alegre, este ano, turbinado pela conquista da prefeitura em 2016, aparentemente conseguiu formar uma conjunto de nomes que poderá levar o partido a conquistar uma bancada com certa tranquilidade. Esse é um ano atípico, e muito provavelmente os candidatos terão dificuldades de acessar os eleitores, e o horário eleitoral e as redes sociais serão fundamentais. Não sabemos ainda a situação que estará a pandemia no dia 15 de Novembro, quando será realizado o primeiro turno, mas as chances do PSDB alcançar, e quem sabe até superar, o desempenho de 1996 são grandes.


Essa é a primeira publicação acompanhando a mobilização dos partidos para as eleições de 2020 em Porto Alegre. Seguimos "garimpando" os nomes para trazer aos nossos leitores um panorama partidário. Siga nos acompanhando, em breve mais novidades!


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