• Serginho Neglia

Sem partidos? Você realmente pensou sobre o assunto?


Sempre que vejo uma daquelas imagens de internet com mensagens contra os partidos políticos, e milhares de manifestações apoiando, fico incomodado, pois entendo que isso é fruto de dois problemas graves para a democracia: O primeiro, a imensa falta de credibilidade dos partidos junto a população e, segundo, a despolitização de nossa sociedade, o desconhecimento das pessoas sobre o papel dos partidos na política.


Os partidos políticos são para a política, o que a escola é para a sociedade, ou seja: Fundamentais, imprescindíveis! É unanime que não há como se ter um país desenvolvido, com pessoas educadas e cultas, sem escola. Assim como não há como se ter democracia e bons políticos sem partidos políticos. O fato de serem fundamentais, não imunizam os partidos de imperfeições, assim como o fato da escola ser fundamental, não impedem que ela sofra um processo de desestruturação (Todos sabem a crise que a Educação vive em nosso país, principalmente a Educação Pública).


No Brasil, as escolas sofrem, faltam professores, estrutura, porém ninguém prega o fechamento delas, muito pelo contrário, defendemos maiores investimentos e melhoria em sua qualidade. Assim deveria ser com os partidos, que por sua vez sofrem em qualidade e principalmente vivem uma crise de identidade, e ao invés de serem fechados, banidos, excluídos, devem ser melhorados,aperfeiçoados,qualificados.


Quando a Escola vai mal, prepara mal as pessoas, fornece mão de obra deficiente e desqualificada, pois com os partidos é a mesma coisa, se os partidos vão mal, preparam mal seus políticos, fornecem líderes deficiente e desqualificados.


Quer políticos melhores? Quer representantes qualificados? Quer lideranças bem preparadas? Aperfeiçoe a escola onde eles são formados, aperfeiçoe e melhore os partidos políticos!


Quando nossos filhos começam a se libertar de nossa dependência (passam a fase a amamentação) começamos a pensar na “escola” onde vamos colocá-lo, procuramos um lugar legal, com boa estrutura, com pessoas qualificadas e capacitadas para fornecer a ele as melhores condições de aprendizado e desenvolvimento.

Se pensarmos bem, uma família pode oportunizar uma boa educação a seu filho sem levá-los na escola, bastaria contratar excelentes profissionais que viriam a sua casa e dariam a ele todo o conhecimento que precisa de forma exclusiva, sem que ele precise ir a escola (No mundo, algumas pessoas fazem isso).


Porque então colocam a criança em uma escola? Ocorre que existem coisas que só aprendemos em ambientes coletivos, existem experiências de convivência, evolução e aprendizado, que só conseguimos adquirir interagindo com os outros. Pois os partidos fazem esse papel na política, coletivizam o político, lhe impõem disciplina, valores, princípios, ensinam que ele não é o “senhor” de todas as verdades, desenvolve e fortalece a ideologia.


Se um político não milita em um partido, dificilmente será um bom líder, porém para que isso funcione é preciso partidos fortes e fiéis a seus princípios e ideologias. Infelizmente, não é isso que vemos, porém, a reflexão é que devemos construir formas de melhorar a “escola dos políticos” que são os partidos, e não extingui-los.

Observação: Esse texto foi publicado originalmente no Blog Testemunha Ocular em 05 de Setembro de 2013, bem no auge das manifestações de rua que, entre outras coisas, pregava a rejeição aos partidos políticos. Muita coisa aconteceu desde lá, todos acompanhamos. Esse ano tem eleição e acho que essa reflexão permanece atual. 


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