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Qual será a cara do Progressistas que nascerá nas eleições de 2020?

Atualizado: há um dia

Em 1982, após a redemocratização, quatro partidos disputaram as primeiras eleições no Rio Grande do Sul após a ditadura militar, os recém criados PT de Lula e Olívio, e PDT de Brizola e Collares, o PMDB, sucessor do único partido de oposição MDB, e o PDS (Partido Democrático Social), sucessor da ARENA, partido de situação. Nesta eleição o PDS elegeu o governador, Jair Soares, em uma disputa voto a voto com Pedro Simon do PMDB, o senador, Carlos Chiarelli, a maior bancada na câmara federal com 13 deputados, a maior bancada na Assembleia Legislativa com 23 deputados, e em Porto Alegre elegeu 10 vereadores.


O período pós-ditadura parecia ser promissor, porém, em 1985 um racha interno pela disputa da presidência da república no colégio eleitoral, um grupo expressivo deixou o PDS para fundar o PFL (Partido da Frente Liberal), então, em 1988 na disputa para câmara municipal, a bancada de 10 vereadores do PDS foi reduzida para quatro vereadores, e em 1992 para apenas dois. Em 1993, o PDS funde-se com o Partido Democrata Cristão e passa a se denominar Partido Progressista Reformador (PPR); dois anos depois, em 1995, nova fusão, desta vez com o recém criado Partido Progressista (PP), dando origem ao Partido Progressista Brasileiro (PPB); como PPB, nas eleições de 1996, disputa a eleição majoritária com chapa 'pura' formada por Maria do Carmo Bueno e Percival Puggina, elege três vereadores em Porto Alegre, e a legenda alcança seu melhor desempenho da história com 13.963 votos.


Em 2000 o PPB disputa a eleição majoritária em Porto Alegre coligado com o PSDB indicando Guilherme Socias Villela como vice de Yeda Crusius, ano em que o partido conquistou quatro cadeiras na câmara de vereadores. Em 2003 o partido passa a se denominar PP - Partido Progressista, em 2004 disputa a eleição com Jair Soares como candidato a prefeito e elege três vereadores para a câmara; nas eleições de 2008 o partido indica Mano Changes como vice de Onix Lorenzoni (DEM) para a prefeitura e volta a eleger quatro vereadores; em 2012 o PP apoia a candidatura de José Fortunati e elege três vereadores; finalmente, em 2016, o partido vence as eleições majoritárias com a indicação de Gustavo Paim como vice de Nelson Marchezan Júnior (PSDB) e para a câmara volta a eleger quatro vereadores.

João Dib foi o vereador que por mais tempo ocupou uma cadeira na Câmara de Vereadores de Porto Alegre

Aqui precisamos fazer um destaque, pois quando falamos na trajetória do PP no parlamento porto-alegrense não podemos deixar de citar João Antônio Dib, que em 1982 foi o vereador mais votado do partido, ele concorria a reeleição, pois, assumiu seu primeiro mandato na câmara em 1971 como suplente da antiga Arena, e permaneceu como representante eleito do partido, após todas as suas transformações, até dezembro de 2012, quando despediu-se da casa onde exerceu 10 mandatos. Em 1983, foi indicado pelo governador Jair Soares para assumir a prefeitura de Porto Alegre por 999 dias, até a posse de Alceu Collares (PDT), prefeito eleito em 1985, primeira eleição direta para escolher o ocupante do paço municipal após a ditadura. Em 1988 Dib volta a concorrer e é eleito o vereador mais votado de Porto Alegre (Nesta Eleição, Jussara Cony (PCdoB) foi a candidata mais votada com 9845 votos, 733 votos a mais que ele, porém não conquistou uma vaga porque o partido não alcançou o quociente eleitoral) e foi reeleito sucessivamente, sempre como o mais votado do partido e entre os mais votados da cidade, até 2008 quando disputou sua última eleição.


Atualmente a bancada do Progressistas é compostas por três vereadores, Cássia Carpes, Mônica Leal e João Carlos Nedel que decidiu se aposentar da vida pública aos 78 anos, após seis mandatos consecutivos pelo PP. Longevidade e tradição podem ser as características mais marcantes das bancadas do Progressistas, pois, quando analisamos o resultado das eleições desde 1988 vemos que a maior parte do tempo o partido elegeu nomes com tradição, e que o espaço para novos nomes só surgiu a partir da aposentadoria dos ocupantes, e em algumas vezes com a passagem “do bastão” para um familiar ou assessor, assim, 11 pessoas foram eleitas pelo PP em mais de trinta anos (1988-2016): São elas: João Dib (6 vezes) João Carlos Nedel (6 vezes) Pedro Américo Leal (3 vezes) Beto Moesch (3 vezes) Kevin Krieger (2 vezes) e Luiz Vicente Dutra, João Mano José Júnior, José Antônio Leão de Medeiros, Guilherme Socias Villela, Mônica Leal, Ricardo Gomes e Cássia Carpes, uma vez cada um. Boa parte do eleitorado do PP vem acompanhando o partido desde o período da ditadura, e agora em 2020, com a aposentadoria de João Carlos Nedel, podemos dizer que se encerra um ciclo, ficando a expectativa de saber qual será a cara do Progressistas que nascerá nas eleições de 2020?

Beto Moesch, João Carlos Nedel, João Dib, Pedro Américo Leal e Kevin Krieger. Durante muitos anos a cara do Progressistas na Câmara de Vereadores de Porto Alegre girava em torno destes nomes. Em 2020 começará um novo ciclo.

O Progressistas, vive um momento muito favorável do ponto de vista ideológico, já que, por algumas décadas, ser de direita estava ‘fora de moda’ e o partido se mantinha em Porto Alegre, alicerçado no eleitorado fiel e em nomes de políticos com grande credibilidade. Em 2020 o cenário é diferente, e até quem nunca foi de direita, quer se fazer parecer, ou quer contar com o apoio dos partidos de direita tradicionais, sobretudo Progressistas e Democratas, que nunca foram tão cortejados e desejados como agora.


Sem seus mais tradicionais nomes o partido começa tendo candidatura própria lançando o atual vice-prefeito da cidade Gustavo Paim, que está rompido com Marchezan, o que poderá impulsionar a legenda que vem tendo baixo desempenho, e em 2016 recebeu apenas 1.712 votos. Ter candidatura própria é um passo importante para quem quer ser competitivo no parlamento porto-alegrense.


Em 2016 o PP disputou as eleições coligado com PMB, PTC e PSDB lançando 41 candidatos a vereador, que juntos somaram 55.276 votos. A coligação recebeu 89.132 votos e elegeu cinco vereadores, um do PSDB e quatro do PP, os mais votados da coligação.


O PP sofreu um processo de transformação após a vitória de 2016, além de ter passado a se denominar Progressistas (a partir de 2018), teve uma relação conturbada com Marchezan, houve grande movimentação entre os quadros partidários, e em 2020 apenas cinco dos 41 candidatos de 2016 concorrerão novamente pela legenda, a vereadora mais votada do partido Mônica Leal, o também vereador Cássia Carpes, e os suplentes Matheus Ayres, Adelar Marques e Vitinho Alcântara, que juntos somaram 18.662 votos.

Matheus Ayres, Cassiá Carpes, Mônica Leal, Vitinho Alcântara e Adelar Marques encabeçam a nominata do Progressistas

Analisando os números apenas, percebe-se o desafio que o Progressistas tem pela frente para poder repetir a atual bancada de quatro vereadores. Para isso o partido buscou reforçar sua nominata, não só na quantidade, mas na qualidade potencial dos candidatos. Uma das estratégias foi buscar nomes que já tiveram algum contato com as urnas através de outras siglas. O destaque desta lista é o jornalista André Machado que em 2014 concorreu a Deputado Federal recebendo 29.237 votos, sendo 13.760 deles em Porto Alegre, com passagens pela RBS e BAND, André é filho do jornalista ex-deputado e ex-vereador Dilamar Machado, e busca agora conquistar uma cadeira que já foi de seu pai, é uma das aposta do partido; a lista conta ainda com o Professor Antônio Pacheco, candidato pelo PTB em 2016, quando recebeu 1.482 votos; Renan Camboim, que foi candidato a vereador em 2016 pelo PSDB e recebeu 421 votos; Enilson “Toco da Glória”, que foi candidato pelo PSB a deputado estadual e recebeu 1.453 votos; Lúcia Castêncio, candidata a deputada estadual pelo PSB em 2018 recebeu 729 votos; Regina Marques candidata a deputada estadual pela Rede em 2018 e recebeu 240 votos; Emerson dos Santos “Motinha”, foi candidato a deputado estadual pelo PSC em 2018 recebeu 136 votos; e Rozeli do Renascer que foi candidata pelo PTB em 2016 e recebeu 976 votos.

Rozeli do Renascer, Regina Marques, Emerson dos Santos, Renan Camboim, Professor Antônio Pacheco, Toco da Glória, Lúcia Castêncio e André Machado, são candidatos com experiência nas urnas, que o Progressistas buscou para fortalecer sua nominata.

A principal característica da nominata do Progressista nesta eleição é a apresentação de novos nomes, candidatos que concorrem pela primeira vez, mas com quem o partido espera compensar as ausências que terá em relação às eleições anteriores; embora uma incógnita quanto ao potencial eleitoral, nomes com trajetórias profissionais, empresariais, políticas e sociais compõem a nominata do partido. Destacamos José Antônio Célia, assessor do vereador João Carlos Nedel, vice-presidente da ADCE e presidente do Centro Calabrese, que é a esperança de manter na legenda os votos de Nedel, que não concorrerá nesta eleição; Érlon Jacques de Oliveira (Elojac), músico, bacharel em museologia e guardião do Templo Positivista de Porto Alegre; Juliano Bragatto Abadie, contador, músico e empresário, membro do Conselho Regional de Contabilidade do RS; Alex Pipikin, Doutor e mestre em Administração – Marketing pelo PPGA/UFRGS, professor em nível de graduação e pós-Graduação em diversas universidades, ex-vice-Presidente da FEDERASUL/RS, autor de livros e artigos na área de gestão e negócios; Luís Antônio Steglich Costa, empresário, ex-diretor executivo do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Rio Grande do Sul - Sulpetro e ex-diretor de indústria e comércio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE); Dulcimar Portella Souza - Du Portella, produtor de hortaliças na zona rural de Porto Alegre, ex-presidente da comissão municipal de emprego, e ex-diretor técnico na Fundação de Assistência Social; Marcos Dias Ferreira, médico urologista, oficial médico da reserva; e Adriana Cauduro, empresária, joalheira, patronesse e conselheira do Educandário São João Batista.

Alex Pipkin, Adriana Cauduro, Marcos Dias Ferreira, José Antônio Célia, Érlon Jacques, Dulcimar Portella, Luís Steglich e Juiano Bragatto fortalecem a nominata do Progressistas.

Analisando a nominata progressista podemos perceber que o partido conseguiu construir um grupo competitivo, muito provavelmente impulsionado pelo bom momento que a sigla, tradicional representante da direita, vive; com mais de 50 nomes, conta ainda com Paulo Nivinski, bacharel em administração de empresas, profissional do sistema financeiro privado, consultor em eficácia operacional para produtos e serviços financeiros; Jonathas da Silva Gomes “ligerinho”, sócio proprietário da Rede Ligeirinho Barber Shop; Ana Paula Wolf; Marco Antônio Martins - Marcão, florista, formado em gestão pública; Reni Teles Poitenvin, administrador, dirigente do Esporte Clube São Vicente, nascido na Vila Funil, bairro Camaquã, na zona sul de Porto Alegre. Suzana Bastos, presidente da ONG “Cultura Afro Som Black Charme” que atua na Restinga Velha e Jardim Paraíso. Luciane Cardoso Thomé Francisco, Assistente Social, ex-agente comunitária de saúde e articuladora social da FASC; Fábio Henrique Rieffel Schornes; advogado Diego Bandeira Machado; Max Gaspar; Helena Toldo; Professora Nádia Simoni; Alexander Charles Miller; coordenador da SFLB - Students For Liberty Brasil Lucas Sanhudo; e Pablo Igarsaba, vice-presidente da ONG Amigos Solidários e da Juventude Progressista;

Jonathas da Silva Gomes, Nádia Simoni, Paulo Nivinski, Max Gaspar, Lu Thomé, Reni Teles Poitenvin, Marcão Martins, Pablo Igarsaba, Suzana Bastos, Fábio Schornes, fazem parte dos mais de trinta novos nomes que o Progressistas apresenta em sua nominata

O Progressistas pretende contar com o número máximo de candidatos permitido, que é de 54 candidatos e espera poder contar ainda com Anderson da Silva Alves; Maria Gelci Medeiros; Célia Matilde Mattos; Clarice Julieta Ramos; Ediane dos Santos; Carmem Cleonice Oliveira; Fátima Martins Barreto; Carlos Ramiro Dutra; Herton Jesus Pereira; Júlio César Felipe; Luiz Augusto Souza; Paulo Jost dos Santos; Ruy da Silva Soares e Paulo Henrique Alves.


Glasnost não conseguiu apurar o histórico de todos os Progressistas, porém, é possível perceber que o partido apresenta uma nominata capaz de manter a sua representatividade na câmara de vereadores que de 1988 até hoje oscilou entre três e quatro vereadores.


O partido ainda enfrenta indefinições quanto a candidatura própria, pois, enquanto concluímos essa análise, notícias do esvaziamento da candidatura de Gustavo Paim circulam no noticiário, e é fato que a existência, ou não, dessa candidatura repercutirá no desempenho do partido na proporcional. Aguardemos para ver qual será o "retrato" do Progressistas que nascerá das eleições de 2020.


Glasnost seguirá acompanhando as movimentações do Progressistas após a homologação das candidaturas e a campanha eleitoral. Acompanhe, e se gostar, curta, comente e compartilhe!

Observação: Registramos que todos estes nomes foram levantados através contatos com os partidos, em pesquisas nas redes sociais e com lideranças políticas, extra-oficialmente. Os nomes definitivos e confirmados só serão conhecidos após as convenções partidárias e a homologação pelo TRE. Alguns pré-candidatos poderão declinar de suas candidaturas e outras poderão surgir até findado o processo de registro. A nossa intenção é antecipar um pouco do cenário político com a preparação dos partidos para as eleições de novembro.


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