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Porto Alegre nunca elegeu uma mulher Prefeita, mas não é a única

Atualizado: Set 17

Este ano teremos a 10ª eleição direta para escolha de prefeitos de Porto Alegre após o período da ditadura militar. Quando olhamos todos os ocupantes do paço municipal até hoje, vamos encontrar 100% de homens, pois jamais uma mulher foi eleita, e nunca foi nomeada quando essa era a forma de escolha. Porto Alegre também não teve ainda uma mulher ocupando o cargo de vice-prefeita.

Mercedes de Moraes Rodrigues, Procuradora do estado, foi a primeira mulher a compor e também encabeçar uma chapa majoritária em Porto Alegre.

A primeira mulher a compor uma chapa majoritária em Porto Alegre foi a Procuradora Mercedes Rodrigues, que em 1988 concorreu a vice-prefeita na chapa encabeçada por Antônio Britto do PMDB, a única mulher entre sete chapas concorrentes, e em 1992 foi candidata a Prefeita pelo PSDB, novamente a única mulher entre as 10 chapas concorrentes.


A partir de 1996 as mulheres passaram a ter mais representantes nas chapas majoritárias, concorreram nesta eleição três candidatas a Prefeita: Yeda Crusius (PSDB), Maria do Carmo Bueno (PPB) e Maria Augusta Feldman (PSB); e seis candidatas a vice-prefeita: Jussara Cony (PCdoB) vice de Vieira da Cunha (PDT); Terezinha Irigaray (PTB) vice de Valdir Fraga (PTB); Márcia Oliveira (PRONA) vice de Furtado Maciel (PRONA), Laura Mendonça (PAN) vice de José Temperani Júnior (PAN) e Elisabete Reis (PMN) vice de Luiz Negrinho (PST). 1996 foi a eleição em que mais teve candidatas femininas nas chapas majoritárias.


Nos últimos 20 anos, 5 mulheres concorreram a Prefeita: Yeda Crusius (PSDB) em 2000; Vera Guasso (PSTU) em 2004 e 2008; Maria do Rosário (PT) em 2008; Manuela D’Ávila (PCdoB) em 2008 e 2012 e Luciana Genro (PSOL) em 2008 e 2016; delas, apenas Maria do Rosário disputou o segundo turno em 2008.


Por que Porto Alegre ainda não elegeu uma prefeita? essa é uma das tantas perguntas que fazemos e que não temos resposta. Porém, Porto Alegre não é a única a nunca ter elegido uma mulher prefeita, a capital gaúcha faz parte da maioria neste quesito, pois, dentre as 26 capitais brasileiras, apenas nove já elegeram uma mulher, assim, em mais de cem anos de república, pouco mais de uma dezena de mulheres governaram uma capital.


As Regiões Norte e Nordeste foram as que mais elegeram mulheres até agora.

Com exceção de Porto Velho, as mulheres são maioria da população em todas as outras capitais, porém, na maior parte delas ainda são muito restritos os espaços de poder concedidos pelo voto popular. Olhando no mapa histórico das eleições municipais veremos que a região nordeste do país é onde há mais mulheres eleitas, e também de lá vem as duas primeiras mulheres eleitas prefeitas de uma capital da história do país: em 1985 São Luís, capital do Maranhão, elegeu Gardênia Gonçalves (PDS), e Fortaleza, capital do Ceará, elegeu Maria Luiza Fontenele (PT). Não é surpresa esse protagonismo nordestino na história se pensarmos que foi o estado do Rio Grande do Norte, o primeiro estado a permitir o voto feminino em 1927, e onde a primeira mulher foi eleita prefeita, Alzira Soriano Teixeira, na cidade de Lages/RN em 1929. Atualmente, três mulheres governam as capitais do Acre, Roraima e Tocantins, todas na região norte.


Este ano, Porto Alegre terá três candidatas a Prefeita: Manuela D’Avila (PCdoB), concorre pela terceira vez e passa a ser a candidata que mais vezes disputou a eleição majoritária da capital; Fernanda Melchionna (PSOL) que foi a candidata a deputada federal mais votada em Porto Alegre em 2018; e a deputada Juliana Brizola (PDT) que, pela primeira vez na história, terá também uma mulher como candidata a vice, Maria Luiza Loose (PSB); ainda concorrem como candidatas a vice-prefeita Carmen Santos (Avante), vice de Gustavo Paim (PP), Alda Miller (PV) vice de Monstserrat Martins (PV), Vera Rosane de Oliveira (PSTU), vice de Júlio Flores (PSTU) e Delaine Kalikosky de Oliveira (PCO) vice de Luiz Delvair Martins Barros (PCO) .


As eleições de 2020 estão sendo as mais atípicas da história, pois acontecem em um período de pandemia onde praticamente tudo tem sido diferente, e há muita expectativa em relação ao comportamento dos candidatos e dos eleitores. Será que entre as novidades estará a eleição de uma mulher para a prefeitura? Aguardamos!!!


Juliana Brizola, Manuela D'Ávila, Fernanda Melchionna, Delaine Kalikosky de Oliveira, Alda Miller, Carmen Santos, Vera Rosane e Maria Luíza Loose, compõem as chapas majoritárias das eleições de Porto Alegre.

Glasnost seguirá acompanhando os movimentos e os acontecimentos políticos das eleições de Porto Alegre. Acompanhe, e se gostar, curta, comente e compartilhe!


Atualização em 17.09.2020 - Após a publicação deste post a candidata do PSC a prefeitura de Porto Alegre Carmen Flores desistiu de sua candidatura. É a terceira desistência entre as candidaturas de direita e centro direita, que no início do mês de agosto tinha pelo menos três pré-candidatas; a primeira a desistir foi a deputada Any Ortiz (Cidadania), depois a vereadora Nádia Gerhard (Democratas) e agora Carmen Flores, todas as candidaturas deste campo 'desidrataram' por falta de apoio, restando apenas as candidaturas do campo de esquerda e centro esquerda.


Ainda após a publicação, Gustavo Paim (PP), Monstserrat Martins (PV), Luiz Delvair Martins Barros (PCO) e Júlio Flores (PSTU) anunciaram suas candidatas a vice: Carmen Santos (Avante), Alda Miller (PV), Delaine Kalikosky de Oliveira (PCO), Vera Rosane de Oliveira (PSTU), respectivamente, que completam a nominata de mulheres que concorrerão em chapas majoritárias nas eleições deste ano em Porto Alegre.

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