• Serginho Neglia

Novos Partidos: Todo Mundo quer ter um rebanho! Pobres ovelhinhas!

Atualizado: Ago 13

"A ignorância, a cobiça e a má fé também elegem seus representantes políticos."

Carlos Drummond de Andrade

Que o brasileiro é criativo ninguém têm mais dúvida, e que essa criatividade não tem limites, também. Pois enquanto no capitalismo tradicional, as pessoas são incentivadas a empreenderem e fundarem sua própria empresa, aqui, a criatividade brasileira fez uma “adaptaçãozinha”: Resolvemos criar igrejas e partidos políticos. Agora os “empreendedores” viram nestas duas modalidades, formas de ter um “rebanho” e arrecadarem um bom dinheiro.


É impressionante que tenhamos no dia de hoje (25 de Setembro de 2013) 32 partidos políticos e uma lista de no mínimo mais uns 30 aguardando registro ou em construção.

Atualização em Agosto de 2020: Atualmente existem 33 partidos registrados no Brasil e 79 em processo de criação, entre eles o Aliança Pelo Brasil, partido de Jair Bolsonaro que, após seis trocas de partido durante sua carreira política, resolveu criar um partido próprio.


Os motivos são diversos, que vão desde o interesse meramente econômico, de acessar o Fundo Partidário, ou trocar o apoio e os minutos de TV, por gordas recompensas financeiras, até o interesse individual ou de grupos pelo poder.


Nossa democracia tem de tudo, desde igrejas, que depois de se proliferarem de forma impressionante, resolveram utilizar sua influência sobre os “fiéis” para eleger seus pastores e assim conseguirem mais benesses junto ao poder, e precisam dos partidos, por isso, algumas optaram por criar um para si, até pessoas que os criam para poderem formar seu próprio “rebanho”, geralmente dissidentes de outras siglas, que não conseguindo impor suas vontades e caprichos, optam por criar um partido todinho seu, onde possam “mandar e desmandar”.

Em 1989 na primeira eleição para presidente o PRN foi criado apenas para eleger Fernando Collor, e não existe mais, assim como o PRONA do Éneas e tantas outras siglas que se extinguiram ou trocaram de nome. A prática segue firme, tanto que acompanhamos o drama da Ex-Ministra e Senadora Marina Silva lutando para criar um partido para poder concorrer nas próximas eleições, após deixar o PT e o PV.


Os interesses seguem, e não vão parar, pois depois que se instituiu a “fidelidade partidária”, os políticos só podem trocar de partido, sem perderem seus mandatos, se expulsos, ou se forem para um partido que não existia quando concorreram. Algo tipo: “É que antes não tinha esse partido, e eu não podia estar nele, mas é o partido dos “meus sonhos”. Por isso, de dois em dois anos, nas vésperas das eleições, são criadas novas siglas para que os políticos possam sair dos seus partidos e concorrerem pela nova sigla sem perderem seus mandatos.


Pois não é que os caras conseguiram dar um jeito de burlar a barreira da “Fidelidade”! Gente criativa esta!  


Defendo a possibilidade de criação de novos partidos, pois a sociedade muda e podem surgir novas ideologias, filosofias, outras formas de organização, porém, o que vemos hoje é mais uma forma “esperta” de burlarem a lei.

Não me impressiona que a política esteja tão desacreditada!


Atualização em Agosto de 2020: Em 2015 uma reforma eleitoral proporcionou que o congresso encontrasse uma forma de permitir a troca de partido "durante o período de trinta dias que antecede o prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, ao término do mandato vigente.” Ou seja, em todo o ano eleitoral, no período de 30 dias que antecede o prazo final para filiação partidária com vistas as eleições, é aberta uma "janela" onde os políticos podem mudar de partido sem sofrerem perda de mandato.

Enfim, deram um jeito de tornar legal a troca de partido sem que precisassem criar um novo, pois, após as dificuldades de Marina Silva para criar a Rede Sustentabilidade, que a levou, juntamente com muitos dos seus companheiros a uma filiação democrática no PSB para poder participar das eleições de 2014, perceberam quão difícil está ficando o processo. O próprio Aliança Pelo Brasil, da família Bolsonaro, pretendia lançar candidatos este ano e não conseguiram o registro a tempo, tendo que seus aliados concorrerem por outras siglas.


Texto originalmente publicado no Blogue Testemunha Ocular em 25.09.2013


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