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Como será o desempenho do PT?

É grande a expectativa pelo desempenho do PT nestas eleições municipais. O PT da capital já foi uma grande referência nacional e até mundial a partir de seu longo período à frente da Prefeitura de Porto Alegre que governou por 16 anos consecutivos, muito provavelmente algo difícil de ser repetido por outro partido.


Da primeira bancada eleita em 1982 de um vereador, Antônio Hohlfeldt, época que o partido vendia camiseta, bandeira e boton para custear as campanhas eleitorais, geralmente humildes e criativas, da militância aguerrida e voluntária, até os escândalos do mensalão, da Petrobrás, que levaram a prisão do seu maior expoente e fundador do partido, Luis Inácio Lula da Silva, muita coisa mudou.


Durante esse período o PT acumulou alguns números impressionantes, também difíceis de serem batidos, como a eleição de uma bancada de 14 vereadores em 1996, ano em que venceu a eleição no primeiro turno e obteve o incrível número de 110.940 votos na legenda. Em 2000, José Fortunati, então vice-prefeito de Porto Alegre, alcançou a maior votação de um candidato a vereador na história da cidade com 39.989 votos. Essa votação de Fortunati pode ser considerada um marco na história do PT, pois ela é oriunda de um processo que gerou traumas no partido, inclusive, a própria saída de Fortunati do PT após assumir a câmara em setembro de 2001.

Eleição de Olívio Dutra e Tarso Genro em 1988 foi o início da trajetória vitoriosa do PT em Porto Alegre

Tarso Genro, em um movimento inesperado por muitos, disputou as prévias partidárias com Raul Pont e Fortunati, então prefeito e vice de Porto Alegre, derrotando ambos com 59,53% dos votos. Na época Tarso declarou à Folha que “atribuia sua vitória na prévia “à aproximação entre facções internas, que chamou de "desbloqueio de tendências". O "desbloqueio", segundo ele, consistia em "desestabilizar a contraposição neurótica e falsa entre esquerda e direita, que estava em vias de se tornar uma disputa de aparelhos internos".


Coincidência, ou não, esse movimento de Tarso tornou a eleição de 2000 um momento de transformação na política local. Tarso venceu a eleição no segundo turno, derrotando Alceu Collares do PDT, apoiado por um grupo de pedetistas dissidentes, composto por figuras como Sereno Chaise, Carlos Araújo, Wilson Muller, Milton Zuanazzi e outras centenas de militantes do PDT, entre eles, inclusive, o filho mais velho de Leonel Brizola, José Vicente Brizola e Dilma Roussef, que viria se tornar presidenta da república em 2010. Essa foi a última eleição de um Prefeito petista em Porto Alegre.

Em 2004 o PT é derrotado por José Fogaça, então no PPS, que encerra um ciclo de vitórias petistas e inicia um ciclo de derrotas consecutivas em Porto Alegre. Interessante fazer um registro, que em 2002 o PT elege Lula Presidente da República e inicia uma sequência de vitórias no cenário nacional até 2014, porém, enquanto crescia no país, diminuía em Porto Alegre.


Em 2008 nova derrota petista para Fogaça e a diminuição da bancada na câmara para sete vereadores; em 2012 tendo Adão Villaverde como candidato o PT alcança apenas o terceiro lugar com 9,64% dos votos e José Fortunati, do PDT, vence as eleições no primeiro turno; nova diminuição da bancada para cinco vereadores; e finalmente a última derrota em 2016 em plena derrocada do partido no nível nacional com o Impeachment de Dilma e a ‘lava-jato’, um novo terceiro lugar com Raul Pont e a redução da bancada para quatro vereadores e o pior desempenho da legenda.


2020 é o primeiro ano, desde 1982, que o PT não lançará candidatura própria à prefeitura da capital, pois o partido optou por apoiar a candidatura de Manuela D'Ávila do PCdoB, indicando o ex-vice governador Miguel Rossetto como candidato a vice. Vivendo um momento de reestruturação e sem contar com uma candidatura própria para potencializar o voto na legenda, o PT trabalha para, pelo menos não diminuir sua bancada que atualmente é de quatro vereadores: Adeli Sell, Aldacir Oliboni, Engº Comassetto e Marcelo Sgarbossa. Para isso, todos eles, que juntos somaram 17.677 votos, são candidatos a reeleição.

Adeli Sell, Engº Comassetto, Marcelo Sgarbossa e Aldacir Oliboni concorrem a reeleição - Fotos: Imprensa da CMPA

Além dos quatro vereadores atuais, dez suplentes da atual bancada petista, que juntos conquistaram 14.017 votos, tentarão uma vaga nesta eleição, Leonel Guterres Radde, Angelo Haag de Oliveira - Billy Haag, Manoel Rocha da Rosa, Pedro Loss, Bernardo Lucero de Carli - Professor Bernardo, Hosana Piccardi. O PT tem como estratégia proporcionar que, em algum período do mandato, os suplentes possam assumir, por isso, entre 2017 e 2020 oito dos dez suplentes assumiram o mandato.

Leonel Guterres Radde, Billy Haag, Manoel Rocha da Rosa, Pedro Loss, Hosana Piccardi e Professor Bernardo, são alguns dos suplentes da bancada do PT que disputaram novamente a eleição este ano. Fotos: Imprensa da CMPA e redes sociais

Dentre os dez suplentes que concorrerão, estão quatro candidatos negros: a jornalista, militante feminista e antirracista, servidora municipal, Laura Soares Sito Silveira; o bacharel em saúde pública, babalorixá Valmir Ferreira Martins - Baba Diba de Iyemonja; o professor Lidionei da Rosa Santos - Lídio Santos, morador da vila cruzeiro, assessor da deputada Maria do Rosário, e a socióloga, coordenadora do Instituto Akanni de pesquisa e assessoramento em direitos humanos, cônsul honorária do Senegal, 2ª suplente do senador Paulo Paim, Reginete Souza Bispo.

Reginete Bispo, Laura Sito, Lídio Santos e Baba Diba de Iyemonja, suplentes da atual bancada, buscam conquistar uma vaga na bancada que será eleita esse ano. Fotos:Imprensa da CMPA

Destacamos a importância dessa representatividade, uma vez que, embora em Porto Alegre sejam mais de 20% da população, não são nem 10% na câmara de vereadores. Recentemente em sessão realizada no dia 25 de agosto, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovou que o dinheiro do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral seja destinado de forma proporcional às campanhas de candidatas e candidatos negros. A obrigação passará a valer a partir da eleição de 2022. Com isso, espera-se aumentar a representatividade nas casas legislativas e nos cargos executivos.


Partindo da votação alcançada nas eleições passadas é possível que o partido possa, com esses candidatos, conquistas duas vagas, por isso, a importância de reforçar a nominata com nomes competitivos é fundamental para a manutenção do atual número de vereadores e, se possível, sua ampliação. Para isso, o PT conta com o reforço, do presidente do Sindicato dos Bancários, categoria que possui identidade com o partido e de onde veio Olívio Dutra, Everton Gimenis; do SIMPA (Sindicato dos Municipários de Porto Alegre) o diretor Jonas Tarcísio Reis, que liderou diversos movimentos de oposição ao atual prefeito Nelson Marchezan; Alceu da Silva Weber, que liderou a greve dos rodoviários de Porto Alegre no início de 2014; o professor universitário Ottmar Teske assessor do senador Paulo Paim; Mirgon Kayser Junior, assessor do deputado Mainardi; Jairo Menegaz, agrônomo, ecologista, analista ambiental do IBAMA; Everton Bornholdt Falcão - Ton Falcão Cirurgião Dentista, Mestrando em Saúde Coletiva e o ex-presidente do PT e ex-deputado estadual Júlio Quadros;

Jonas Tarcísio Reis, Ottmar Teske, Júlio Quadros, Everton Gimenis, Mirgon Kayser Junior, Alceu da Silva Weber, Ton Falcão e Jairo Menegaz, reforçam a nominata petista. Fotos: Redes Sociais

As candidaturas femininas do PT costumam ser competitivas e representativas, e este ano não é diferente, pois além de Laura, Hosana e Reginete, o PT contará com nomes como a da secretaria de movimentos populares do vice-presidente do partido em Porto Alegre Any Moraes; liderança da Lomba do Pinheiro e ex-vereadora Maristela Maffei; a vocalista da banda 3D, gerente geral do lendário bar Ocidente Ana Paula da Rocha - Polaca Rocha; a Líder comunitária do bairro Humaitá, Palmira Marques Fontoura; Simone Rodrigues Mirapalhete, bióloga, que foi candidata a Deputada Federal em 2018 recebendo 7.466 votos 2256 deles em Porto Alegre; a protetora dos animais Elaine Cristina Kovalski; Carla Ribeiro do Brecho Maria Bonita e Ana Cristina Medeiros de Lima - Cris Medeiros - Conselheira Tutelar, liderança da zona leste, filha de Marli Medeiros fundadora do CEA da Bom Jesus.

Maristela Maffei, Cris Medeiros, Any Moraes, Simone Mirapalhete, Elaine Kovalski, Polaca Rocha, Carla Ribeiro e Palmira Fontoura compõem a competitiva nominata feminina do PT. Fotos:Redes Sociais
Paulo Ferreira, tenta recomeçar sua sua trajetória política disputando uma cadeira na câmara de Porto Alegre. Foto Rede Social

A nominata petista traz ainda o ex-deputado federal, ex-tesoureiro nacional do PT, Paulo Ferreira, que recentemente foi absolvido no processo da lava jato por decisão unânime da 8ª turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) que anulou sentença do ex-juiz Sérgio Moro que o havia condenado a nove anos e dez meses de prisão. 2020 marca o retorno de Paulo Ferreira que havia concorrido pela última vez em 2014, ao cargo de deputado federal, ficando na suplência com 43.787 votos, 10.278 deles em Porto Alegre.


O desafio do PT será grande, ainda mais sem a candidatura própria para fortalecer a legenda, o partido, inclusive pretende desenvolver uma campanha incentivando o voto na legenda 13 para compensar essa falta, mesmo assim, a nominata é bastante equilibrada, com candidatos que possuem inserção social o que pode ser uma vantagem competitiva neste momento em que o contato pessoal será restrito. Aparentemente, o partido não possui nenhum 'puxador de votos' como já tivera no passado (Paulo Ferreira é uma incógnita, mas embalado pela absolvição no processo da lava jato, poderia ser uma surpresa) porém, se a nominata alcançar uma média boa de votos, pode repetir os quatro vereadores de 2016 com certa tranquilidade. Aguardemos.


Glasnost seguirá acompanhando as movimentações do Partido dos Trabalhadores, após a homologação das candidaturas e a campanha eleitoral. Acompanhe, e se gostar, curta, comente e compartilhe!


Observação: Registramos que todos estes nomes foram levantados através contatos com os partidos, em pesquisas nas redes sociais e com lideranças políticas, extra-oficialmente. Os nomes definitivos e confirmados só serão conhecidos após as convenções partidárias e a homologação pelo TRE. Alguns pré-candidatos poderão declinar de suas candidaturas e outras poderão surgir até findado o processo de registro. A nossa intenção é antecipar um pouco do cenário político com a preparação dos partidos para as eleições de novembro.

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