• Serginho Neglia

Carta a um futuro professor

Atualizado: Abr 28


Logo nos primeiros dias do curso o professor nos solicita que escrevamos uma carta, e ela tem que ser direcionada para um estudante de licenciatura. Essa foi a minha, e é interessante como, após a conclusão do curso, eu penso que não utilizaria alguns termos, e como meu olhar sobre a licenciatura se tornou diferente, porém, a espinha dorsal da carta permanece atual, ainda mais após o Brasil eleger um governante que não respeita os professores.

Caro colega!


Em primeiro lugar gostaria de te desejar boa sorte e dizer que tens toda a minha admiração!


Muitas vezes você deve ter escutado, ou até se feito a seguinte pergunta: Porque é que resolvi ser professor?


As pessoas, de um modo geral, não compreendem os motivos que levam alguém a escolher uma profissão que só é valorizada nos discursos vazios de alguns políticos. Uma profissão que, muitas vezes, nem o maior beneficiado com ela, que é o aluno, respeita; Uma profissão que remunera mal, que oferece condições de trabalho estressantes e desgastantes, que para poder se viver com um mínimo de dignidade é preciso trabalhar 60 horas semanais, enquanto todos lutam para trabalhar 30 ou 40. A profissão de professor está quase em extinção, pois é raro encontrar uma faculdade que ofereça cursos na área, de qualidade então, nem se fale, pois a procura é baixa e o mais comum é fechar do que abrir o curso.

Claro que diante deste quadro desolador, o individuo deve ter um “parafuso solto” ou ser “meio burro” que não consegue disputar uma vaga em outro curso e opta pela licenciatura por ser mais fácil, pensam muitos daqueles que não compreendem sua escolha.


Infelizmente colega, muitas pessoas não sabem que fazer algo que não se gosta, só pelo dinheiro, não traz felicidade a ninguém! Não sabem o que o mundo encantado do conhecimento é capaz de proporcionar aos seres humanos. Mal sabem que, eles próprios, não chegariam a lugar nenhum se não tivessem tido pessoas que se dispuseram a escolher essa “mágica profissão”, mesmo com todas as dificuldades, para ajudá-los a alcançar seus sonhos e o sucesso na profissão que escolheram.


Se um médico pode curar a cegueira de alguém que sofre do problema de catarata, e é valorizado e respeitado por isso, que dirá daqueles que tiram milhões de pessoas da cegueira da ignorância e os introduzem no mundo do saber com infinitas possibilidades?


Qual o valor que se dá para ver a alegria de uma criança que agora pode ler, ela própria, o livrinho de historinhas que seus pais liam para ela? Lembro de minhas filhas, da caçula em especial, que ficava folheando o livrinho, fazendo de conta, e contando a historinha que ela trazia na memória, ou quando olhava para o rótulo de um produto e na sua imaginação dizia: “xampu para lavar o cabelo”, demonstrando que desejava poder ler aquilo que ali estava escrito. Pois, foi uma professora que lhe proporcionou a alegria de chegar um dia em casa e dizer: Pai, Mãe, vem aqui que quero mostrar uma coisa para vocês! E pegando o seu livro preferido de histórias, começava a ler, ainda gaguejando, as suas primeiras palavras. Que preço tem isso, querido colega?


Que outro profissional tem mais contato com nossos filhos durante sua fase de desenvolvimento, do que o professor? Que outro profissional convive com nossas dificuldades de aprendizado e relacionamento mais do que um professor?


Não deveria ser o professor um dos profissionais mais valorizados?


Pois é caro colega, só posso admirar aqueles que escolhem essa profissão, pois ela é altruísta, generosa, solidária e amorosa. Nossos alunos merecem o melhor de nós, nossa dedicação, nossa generosidade, nossa paciência. O importante não é o que as pessoas pensam de nós e de nossas escolhas, o importante é o que pensamos de nós mesmos e o destino que damos para nossas vidas.


Eu creio na profissão de professor de tal maneira que a escolhi para mim mesmo e acredito que temos uma missão tão importante quanto a que nos propõem a oração de São Francisco, cujo um trecho compartilho contigo. Desejo que tenha uma vida de grande felicidade e realização, que seja recompensado com muitos sorrisos verdadeiros e abraços sinceros. Que cada criança e adolescente que encontrar a luz do conhecimento através de sua ação, funcione como uma usina de energia motivacional para a sua caminhada! Seja Feliz!


Onde houver ódio, que eu leve o amor;

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;

Onde houver discórdia, que eu leve a união;

Onde houver dúvida, que eu leve a fé;

Onde houver erro, que eu leve a verdade;

Onde houver desespero, que eu leve a esperança;

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;

Onde houver trevas, que eu leve a luz.


Produção acadêmica do Curso de História - Carta elaborada para a disciplina de Didática


0 visualização

© 2020 by Serginho Neglia.

criado com Wix.com

  • White Facebook Icon
  • White Twitter Icon
  • White Pinterest Icon
  • White Instagram Icon